Coisas para escrever #2

14:50:00


38. Sua mais memorável experiência no banco de trás de um carro.

      O velho Ford Maverick 1976 cruzava as ruas com seu farol ligado. Ao som de Poison, o motorista com sua camisa flanela sorria. Um sorriso largo e sincero, sabia que aquele seria seu grande dia. Havia se preparado bem. As ruas escuras não o amedrontava. Seu destino era certo. O cabelo rebelde e o rosto jovial enganavam, havia uma pessoa certa de si ali. Cruzou uma esquina com um poste que piscava e na calçada viu a moça lhe esperando. Um sorriso faceiro, um vestido curto e um olhar sedutor. O homem no carro sorria. Parou o Maverick e abriu a porta para a moça entrar. Seus olhos se cruzaram e um tipo de eletricidade acertou os dois. Era desejo. A moça usava um batom vermelho e um largo decote que exibia fartos seios. O velho carro engatou a primeira marcha e partiu.
      O homem repassava em seus pensamentos cada detalhe do seu plano. Sabia que teria que deixar a moça confortável antes de qualquer coisa. Tinha escolhido o local para a grande noite a dedo: um lugar afastado que dava pra contemplar tanto a cidade como a grande lua cheia no céu. Tinha alguns acessórios no porta-malas, caso precisasse. Avançou pela trilha de terra sem em momento algum desfazer o sorriso. O olhar ardente da mulher que lhe encarava tirava-lhe o fôlego. Ela era muito bela e todo aquele joguinho lhe excitava.
      Chegou no local. Chegou o grande momento. Estacionou, desligou o carro e olhou para a mulher. Ela se insinuava. Passava suavemente a língua pelos lábios. O homem engoliu em seco. Pegou a mão da moça e fez um carinho. Sabia que tinha que dar aquele passo. Avançou e beijou-lhe a provocante boca. Suas línguas dançavam. Beijaram-se demoradamente. O homem usou sua outra mãos e acariciou-lhe os seios. Ela sorriu em meio aos beijos e pôs-se a acariciar-lhe o membro, já bem duro. Carinhosamente, mas com grande fervor, os amantes se enroscavam e se acariciavam. Mãos e línguas passavam por corpos cheios de desejos. Houve uma pequena pausa para que fossem para o banco de trás do carro, maior e mais confortável.
      O homem tirou-lhe o vestido. A mulher tirou lhe as calças. Com a boca, deu prazer ao homem. Sua boca subia e descia pela genitália. O homem já louco de tesão tentava se controlar, não podia se deixar levar. Precisava continuar com o jogo e terminar na hora certa.
      Com determinação, colocou a mulher de quatro e penetrou-lhe com fúria. Seus quadris iam e viam acompanhando o som de seus gemidos. Agora era a hora. Todo o treinamento, todo o preparo, toda a sua vida ia ser posto em prova agora. Com o gozo, veio a ira. Ele sabia que esse era o momento que ela atacaria, mas estava preparado. Com um rugido infernal, a bela e provocante mulher, de seios fartos e vagina rosada começava a se transformar. Já fora do carro, tentáculos saiam de sua barriga, seus cabelos caíram todos e uma gosma nojenta era secretada por seu corpo. o monstruoso demônio agora em sua forma real abraçou o homem vulnerável, era sua vez de comê-lo. O que a coisa não sabia era que o homem estava preparado. Nessa noite, o monstro seria a caça. Sem calças, o homem tirou duas adagas banhadas em água benta e abençoadas pelo próprio papa de trás da camisa e acertou os olhos da criatura. "EXORCIZO-TE, ESPÍRITO IMUNDO, PODER SATÂNICO! EU, SERVO DA SANTA IGREJA, EXORCIZO-TE, MALIGNA CRIATURA, VOLTE AO INFERNO, LAR DOS DEMÔNIOS! EXORCIZO-TE EM NOME DO NOSSO SENHOR!". Com grande dor, a criatura ia se desfazendo. Em meio a fumaça e sangue, o demônio abandonou o corpo da mulher e partiu desse mundo, jurando voltar e se vingar. O homem tossiu de dor, a criatura tinha lhe quebrado uma costela no abraço. Olhou para a mulher no chão. Era tarde demais pra ela, seu corpo já havia sido destruído e sua alma já sofria no fogo infernal, mas ninguém mais sofreria aquele destino. Não por enquanto. Não enquanto o homem ali estivesse. Com um uivo lupino vindo sabe-se lá de onde, o homem vestiu-se, colocou o corpo no porta-malas do carro e partiu. Sabia que aquela fora apenas a primeira prova de seu destino, mas estava satisfeito consigo mesmo. Por isso, partiu com um sorriso largo e sincero.

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